segunda-feira, 28 de abril de 2014

"Receita pra lavar palavra suja"

Gostei!
E porque é sobre a "palavra", que eu tanto prezo, aqui publico o link!
O vídeo é um poema de Viviane Mosé. Depois do vídeo, tem um texto também interessante de Ines Cozzo.
Divirta-se!
http://vimeo.com/79616935

domingo, 27 de abril de 2014

Dente pra quê?

Da seção: "Causos de criança"


Em algum momento dos seus 5 anos, não me lembro exatamente quando, Lis, minha filha mais velha, perdeu os dentes da frente.
Toda vez que tinha um dente pra cair era um drama!
Ela chorava, gritava, falava muitas coisas gozadas no meio do desespero.
Uma vez, inclusive, minha vizinha, a Frau Hilbers, bateu na porta pra ver o que estava acontecendo, o que estávamos fazendo com a criança!!!
Até hoje não sei se ela acreditou que era apenas um dente (muito) mole!
Numa dessas ocasiões em que o pai tentava delicadamente tirar o dente que já estava praticamente solto, ela gritou repetidamente: "Eu queria que não existisse dente!!! Eu queria que não existisse dente!!!"
E eu e o pai, com muita paciência, argumentamos e perguntamos, usando um dos seus pontos fracos (ela amava - ama ainda - comer! rs): "E como é que a gente ia fazer pra comer, filha?"
Ainda aos prantos e sem pensar muito (o que não era muito típico), ela só berrou: "A gente comia só sopa!"
...............
Era outubro de 1999. Lis tinha 6 anos!
Morando na Alemanha, procurávamos, eu e meu marido, manter viva na memória das crianças, a lembrança de pessoas, ambientes e coisas que nos eram caras no Brasil, pra que, quando voltássemos, elas pudessem se sentir "em casa" e perceber familiaridade nessas coisas.
Comendo laranja depois do almoço, Lis e Júlia demonstravam terrível falta de intimidade com o fruto.
Eu, morrendo de rir, perguntei: "Gente, vocês esqueceram como se come laranja, é? Mete os dentões e chupa o suco!"
Lis na hora retrucou: (e nesse ponto da história sempre tenho que fazer pausa pra gargalhada!) -  "Você esqueceu que eu não tenho dente?!!
...............
Em 30 de dezembro de 1999, registrei no diário da Lis:
"Seus dentões finalmente apareceram e agora a cada dia podemos ver como eles crescem! Você já está comendo - feliz - com eles!!!"

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ela cuspiu!!!

Da seção: "causos de criança"  :)

(Afinal, têm muita história essas minhas filhas...)

Júlia, minha filha mais nova, é uma menina muito afetuosa e também muito divertida.
Algumas postagens atrás, contei de como a Lis, minha filha mais velha, gostava de ver e ouvir as palhaçadas da Júlia pra poder rir à vontade, como ela gosta de fazer até hoje.

Aí vai uma das histórias da nossa Juju:

Estávamos no ano de 1999, em dezembro. Morávamos na cidade de Hannover, Alemanha. Júlia estava com quase 4 anos.
Dezembro na Alemenha - frio, neve, mas também uma atmosfera particular e aconchegante de Natal no ar!
Fomos convidados pelo orientador do meu marido, Herr Hau, pra lancharmos em sua casa. Sua esposa era uma delicadeza de pessoa, uma senhora muito amável e super talentosa.
Chegamos lá, conversamos um pouco e então nos sentamos à mesa pra lanchar. Frau Hau havia preparado um lugar todo especial para as crianças. Cada uma tinha o seu pratinho, com um presentinho ao lado confeccionado por ela, guardanapo com motivos natalinos infantis, uma canequinha de natal que elas também levariam pra casa de presente e ainda um pirulito de chocolate. Júlia ficou extasiada, olhando tudo aquilo com um brilho intenso nos olhos. 
Se sentindo já bem à vontade (isso nunca demorava muito), Júlia começou a chamar Frau Hau pra cá, Frau Hau pra lá, até que Frau Hau sorriu, olhou pra ela e disse: "Meu nome é Heiwig, você não precisa me chamar de Frau Hau". Júlia sorriu de volta e adorou a observação, que a fez se sentir ainda mais à vontade... e Júlia à vontade podia também representar algum perigo, por isso fiquei de olho! rs
Depois do lanche, Frau Hau serviu um bolo delicioso de maçã. Júlia comeu a primeira colherada, sendo acompanhada pelo olhar sorridente de sua "amiga" Heiwig que observava se ela iria gostar. Ficou com aquilo na boca... e eu pensei: "lá vem!". Júlia enrolou mais um pouco querendo cuspir o pedaço de bolo e eu tentando fazer ela entender no meu olhar o grito de "não faça isso!", mas não teve jeito... ela cuspiu aquela meleca no prato! E como se não bastasse, veio até mim, subiu no meu colo, segurou meu rosto com as duas mãos para que eu olhasse diretamente pra ela (e ela estava com uma cara de brava muito engraçada!) e disse: "Mãe, você NUNCA faz esse bolo lá em casa, tá?". Fiquei sem lugar e quando vi, a Lis estava com o olho arregalado, olhando pra mim como se dissesse: "E agora?". Achei que ela iria escorregar pra debaixo da mesa de vergonha da irmã! rs
Ainda assim, ao final da visita, Frau Hau deu pra cada uma um Papai Noel de chocolate enoooorme!
Se fosse eu, teria boicotado o Papai Noel de chocolate da Júlia!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Bombril ou bolinha de gude?

(Inspirado num causo de infância do amigo Ehud.)

A cidade era pequena e, naquele tempo, a gente podia ver os meninos brincando alegremente na rua. Naquele tempo também, os armazéns tinham o nome dos donos e a gente costumava dizer: vai ali no armazém do Zé, do Juca... ou simplesmente "vai lá no Juca".
O menino tinha uns 9 ou 10 anos.
Era levado, "traquina" diria meu avô, mas costumava ser obediente.
- Deco, vai ali na venda do seu Jovino pra mim? - gritou a mãe lá da cozinha.
Deco que olhava da varanda com desinteresse o cachorro fuçando a terra no quintal, sem vontade de ir lá brincar com ele, logo se levantou e foi ao encontro da mãe.
- Comprar o quê, mãe?
- Bombril, meu filho. Tenho que arear a frigideira do torresmo de ontem e queria também ver se limpava o ferro. Ah! Traz vela também, assim limpo o ferro direito.
- No seu Jovino tem vela??
- Claro! É um armazém! Tem tudo!!! - e sorriu
O garoto pensou:
- Bolinha de gude não tem!
E emendou com voz disciplinada, pegando as duas notas da mão da mãe:
- Então é pra trazer bombril e vela, certo? Posso ficar com o troco?
- Isso mesmo, bombril e vela e nada de ficar com troco não senhor, pois tenho que comprar pão pro lanche da tarde.
O menino colocou as duas notas no bolso e saiu andando tranquilo pelo quintal, fez um chamego no cachorro e alcançou o portão que ficava nos fundos. Por ali o caminho era um pouco maior, já que ele tinha que dar a volta na rua, mas como ele não tinha mesmo o que fazer, ia se divertindo olhando "as gentes" pelo caminho.
Ao dobrar a esquina da rua de trás, ele viu de longe os moleques jogando bolinha de gude no campinho. Um sorriso se desenhou em seus lábios e ele até começou a andar mais rápido em direção ao campinho... bolinha de gude era o seu fraco!
Parou ali observando, e Maneco gritou:
- Entra aí, Deco!
- Tô sem boleba nenhuma, Maneco!
- Tem problema não, te arranjo algumas!
- Então tá, tô dentro!
E ali ficou o garoto, com Maneco e os outros meninos, dando peteleco e mais peteleco nas bolinhas de gude e capturando todas elas. Ele era mesmo muito bom naquilo!
No final, estava com os bolsos cheios de bolinhas de gude!!!
Alguns dos meninos, desanimados e sem muitas bolinhas, foram se dispersando e daqui a pouco as mães gritavam por cada um deles para irem pra casa almoçar.
E depois de tanto peteleco, a fome bateu mesmo! Deco tomou o rumo de casa, não sem antes devolver as bolinhas que Maneco lhe cedera.
Chegou em casa todo entusiasmado com suas novas bolinhas de gude!
Entrou pela frente, atravessou a sala e a copa e, ao ver a mãe na cozinha, perguntou:
- E o almoço, mãe, sai ou não sai?
- Uai, menino, cadê o bombril e a vela?
Ele olhou pra ela com susto e fez aquele ar encabulado:
- O bombril? A vela? Não trouxe não... mas olha o tanto de boleba que eu ganhei!
Tirou as bolinhas do bolso e as duas notas estavam emboladas ali junto.
A mãe, já imaginando o desfecho da história, pergunta:
- E não trouxe porquê? Tá em falta no seu Jovino?
E o menino, com certo constrangimento na voz:
- Sei não, mãe. Tudo bem... eu sei sim. Você me enviou com a missão de comprar o bombril... e a vela também, pra limpar o ferro, mas eu me distraí, mãe, e não cumpri a minha missão! E agora? Você me desculpa?
A mãe achou gozado aquele jeito de falar do menino e concluiu:
- É Deco, sua missão não era mesmo jogar bolinha de gude! Mas deixe estar... depois do almoço você vai lá e cumpre a sua missão direitinho. Mas dessa vez vai pela rua da frente, certo?


terça-feira, 22 de abril de 2014

Fuçando papéis velhos, sempre se acha algo "novo"...

    Recentemente me mudei de cidade... nesse processo tive que praticar o "desapego", deixar muita coisa pra trás e me desfazer de tantas outras. "Né fácil não", mas necessário e com um "sopro de nova vida" acalentando o coração.
Bem, nessa arrumação e desarrumação toda, achei um monte de bobagens que escrevia... de algumas ri muito, ri da ingenuidade, da imaturidade, da falta de jeito! Com outras chorei (não muito!), ao lembrar de momentos que já tinham ficado pra trás! Outras não valiam mesmo a pena... foram pro lixo. Aí me lembrei de Adélia (a Prado!), em certa entrevista, falando algo que vou agora parafraseando (e interpretando) por não me lembrar exatamente as palavras, mas sim o que ficou no coração: algumas vezes não é bom ficarmos burilando demais as palavras, pois isso acaba não transmitindo o sentimento que está lá dentro se contorcendo para vir para fora, assim espontâneamente mesmo, ainda que pareça  (ou de fato seja) de pouca qualidade literária. É o sentimento...
Bem, me apegando a essa desculpa, reproduzo um "poema", novo pra mim por não ter tido mais lembrança alguma dele, e de qualidade literária talvez duvidosa, mas com um sentimento intenso de inconformismo e busca, que me reportaram a um tempo interessante... naquele momento o sentimento veio, enfim, pra fora deixando a alma mais serena.
Aí vai (e sem qualquer "burilamento"! rsrs)

Querendo ser quem não sou
Meto os pés pelas mãos
Piso pegadas alheias
Dou passos que não são meus
Caminho errante...

Querendo ser quem não sou
Perco batalhas vencendo-as
Defendo convicções que não tenho
E com tanto ardor!

Falo
        Penso
                   Sou
                          Canto
                                    Persigo        quem sou...
Quem sou?
Diga-me "Eu sou"!


domingo, 2 de março de 2014

Desapegando... amadurecendo...

(pra filha mais velha, num momento de separação)

Cronicidade
Silvana Pinheiro

http://www.youtube.com/watch?v=OS27wU-Q9bQ


Vejo você remexer a areia

Pega a pá da forma mais improvável
Tenta encher o balde
Grãos lhe escapam
Demora
No entanto isso não lhe incomoda
O aborrecimento é meu
Remexo impaciências e vontade de lhe segurar a mão
E ajudá-la a conter as partículas ali
Afinal, é assim que se aprende
Fazendo com alguém hoje
Pra fazer sozinha amanhã
Mas não é momento pra isso
Este instante é seu
É tempo de digitalizar trajetos
O meu é de lhe deixar
Não traçar fins
E contemplar seu crescimento
Conter meus grãos sem deixá-los entornar e
Atrapalhar o que está acontecendo...
Contecendo... tecendo... sendo...

Ao ouvir ontem esse poema da Silvana, meus olhos marejaram...

E hoje, ouvindo mais uma vez, chorei!
Traduz bem o meu sentimento nesse momento com relação à você.
Filha, meu amor por você não tem tamanho!!!
Tenho em mim um misto de sentimento, mas certo é que tenho contemplado seu crescimento, seu amadurecimento, com muita alegria no coração.
Ver você tecendo o seu futuro, dando seus próprios passos com determinação e fé, fé no mesmo Deus que me deu você (que, junto com sua irmã, são os presentes mais preciosos que Ele poderia pensar em me dar!), me enche de orgulho e alegria, mas também fica aquela pontinha de melancolia...
Minha menina cresceu e vai trilhando seu caminho por conta própria agora!
Vai, filha!
E que os vínculos se transformem, porém se fortaleçam!
Vai minha menina, "este instante é seu... o meu é de lhe deixar, não traçar fins e contemplar seu crescimento, conter meus grãos...".
Aconteça... conteça... teça... seja!!!
Te amo sempre, te amo sem tamanho!
Mamãe (chorando muito :,) rsrs)